Os nossos leitores-seguidores avisaram e a gente foi verificar. Sabe aquela postagem sobre o esqueleto de mulher _ uma escrava do tempo do Brasil-colônia _ encontrado no Centro do Rio, num terreno do Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos? Tem ex-aluno do Santa envolvido diretamente nesse incrível trabalho arqueológico!
É o Andrei Santos, que fez o Ensino Médio em nossa escola de 2008 a 2010. Ele virou arqueólogo! Ele faz pesquisas no laboratório de Antropologia Biológica do Museu Nacional / UFRJ, orientado pela professora-doutora Andrea Lessa. Também é arqueólogo técnico e está trabalhando no cemitério dos pretos novos (como eram chamados os cativos africanos recém chegados ao Brasil no período colonial de nossa história) desde o início das pesquisas, no ano passado, supervisionado pelo arqueólogo Reinaldo Tavares. Recentemente, ele encontrou o primeiro esqueleto inteiro do sítio arqueológico. Ele foi batizado de Josefina Bakhita, em homenagem a uma mulher sudanesa que enfrentou os horrores da escravidão na infância e juventude. Josefina foi santificada pelo papa João Paulo II no ano de 2000.
O Santé Notícias _ jornalzinho de nossa escola que está retornando em versão digital _ trocou um dedinho de prosa com Andrei. Veja o que ele fala sobre o trabalho de arqueólogo e a descoberta impactante do cemitério de escravos.
Santé Notícias: Por que você escolheu a profissão de arqueólogo?
Andrei Santos: Eu escolhi ser arqueólogo porque é um trabalho que me fascina. Poder lançar luz à história. Responder e formular novas questões é algo inestimável para mim.
Santé Notícias: Sempre quis ter essa profissão ou pensava em outras opções?
Andrei Santos: Eu sempre quis ser arqueólogo. Talvez a minha paixão pelas ciências naturais tenha me trazido até aqui. De fato, foi o que me conduziu à antropologia biológica e à bioarqueologia. O fato de poder contar a história humana através dos ossos humanos é algo apaixonante!
Santé Notícias: Como chegou a esse trabalho no IPN?
Andrei Santos: Eu cheguei ao IPN por meio de um convite do arqueólogo Reinaldo Tavares, por intermédio da professora-doutora Andrea Lessa. O convite chegou enquanto eu realizava pesquisas em antropologia biológica no Museu Nacional. E recebi a notícia com enorme satisfação! Certamente, eu não imaginava um dia ter a oportunidade de contribuir dessa maneira (participando ativamente das escavações arqueológicas) para lançar luz à história do Brasil escravagista.
Santé Notícias: Qual foi a sensação de estar à frente de um achado tão importante para a história do Brasil-Colônia?
Andrei Santos: A sensação que tive ao me deparar com o primeiro esqueleto inteiro de um preto novo foi curiosa, no mínimo. Por um lado, senti-me perplexo, dada a forma como eles eram tratados. Os trabalhos arqueológicos confirmam a frieza e a desumanidade que permeavam os “enterramentos” dos cativos africanos. Por outro lado, me senti entusiasmado pelo fato de ser um achado que, além de confirmar os relatos históricos do Cemitério dos Pretos Novos, o complementa com novas e preciosas informações (como o fato de o esqueleto pertencer a uma mulher).
Santé Notícias: Quais são os seus planos para o futuro?
Andrei Santos: Meus planos para o futuro giram em torno da concretização dos meus projetos acadêmicos. Pretendo continuar com as pesquisas no Cemitério dos Pretos Novos, em nível de mestrado e doutorado, ampliando os horizontes e formulando novas questões. Certamente, pretendo continuar contribuindo para ampliação e compreensão do contexto histórico em questão.
